Queda de raios e episódios de tempestade
Relatório de queda de raios 2025
Descubra a análise da Meteorage sobre a atividade elétrica e de tempestade ao longo do ano.
Factos marcantes
O ano de 2025 destaca-se como historicamente pouco tempestuoso
marcado por uma atividade eléctrica globalmente baixa a nível europeu, mas pontuada por episódios localmente intensos.
Com aproximadamente 1,226 milhões de raios nuvem-solo detectados na Europa, o ano de 2025 distingue-se por uma atividade de tempestade inferior à média climática, afirmando-se como o ano com menor atividade de queda de raios observado até à data nos registos da Meteorage. Embora as condições atmosféricas tenham limitado o desenvolvimento das tempestades, algumas situações favoráveis deram origem a episódios intensos e localizados, com uma atividade mais marcada em torno da bacia do Mediterrâneo e nas zonas de relevo.
Para além desta avaliação e da distribuição espacial observada em 2025, as análises efectuadas ao longo de vários anos mostram um deslocamento gradual da cintura de tempestades para o norte, bem como um prolongamento da temporada de tempestades, com episódios mais precoces na primavera e mais tardios no outono. Estas disparidades regionais recordam-nos que a queda de raios nunca se distribui de forma homogénea e que, mesmo em anos de fraca atividade, as questões de prevenção, vigilância e gestão do risco associado à queda de raios permanecem plenamente atuais.
A Rede de deteção de raios da Meteorage registou em 2025
Estes valores contrastam com os do ano de 2024, durante o qual mais de 1 967 112 raios nuvem-solo foram detectados na Europa, das quais 24 292 em Portugal, refletindo uma atividade conforme à média climática.
O ano de 2024 registou episódios de tempestade extensos, mas 2025 distingue-se por episódios mais pontuais que podem revelar-se intensos, como em Portugal, onde o outono foi marcado por um novembro excecional com cerca de 8300 raios, um recorde para este mês, ligado à sucessão de anomalias depressionárias que favoreceram tempestades por vezes fortes.
O número de raios de um ano para o outro não reflete, por si só, o nível de perigo.
Em 2025, as tempestades foram menos numerosas na Europa, mas por vezes igualmente intensas, e o risco pode surgir a qualquer momento para as atividades expostas.
— Stéphane Schmitt, Lightning Application Expert, Meteorage
Os principais factos
Embora a atividade elétrica em 2025 tenha ficado abaixo das referências históricas, a elevada variabilidade interanual da atividade tempestuosa não permite, neste momento, identificar uma tendência estatística robusta.
360 dias de tempestade
A maior parte da atividade de tempestade concentra-se entre junho e agosto, período em que as condições instáveis foram mais favoráveis, com um pico acentuado em junho e cerca de 284 200 raios nuvem-solo registados em toda a Europa, evidenciando uma temporada de tempestades por vezes precoce.
Em 2025, a circulação atmosférica à escala europeia favoreceu uma concentração da atividade convectiva em torno do Mediterrâneo. A presença recorrente de altos geopotenciais sobre a Europa central e setentrional limitou a progressão dos sistemas instáveis para o norte do continente.
Por consequência, as circulações de baixa pressão e os forçamentos dinâmicos continuaram nas baixas latitudes, em interação com massas de ar mais quentes e húmidas em redor do Mediterrâneo, criando um ambiente mais favorável à atividade elétrica.
— Joris Royet,Gestor de projetos em Meteorologia, Meteorage
Top 10 dos países mais atingidos por raios na Europa em 2025
A frequência, a distribuição geográfica e a intensidade das trovoadas variam ao longo das estações, em função da temperatura, da humidade e das dinâmicas atmosféricas.
A primavera totalizou 233 316 raios nuvem-solo, com uma distribuição geográfica muito heterogénea: uma atividade fraca na metade norte da Europa, que permaneceu largamente sob a influência de condições anticiclónicas persistentes, limitando fortemente o desenvolvimento das tempestades. Em contrapartida, observa-se uma atividade mais regular no sul do continente, nomeadamente em torno da bacia do Mediterrâneo. Durante este período, a Espanha foi o país mais afetado, com 97 219 raios nuvem-solo.
O verão concentra 775 394 raios nuvem-solo, o que representa mais de metade da atividade anual. Embora as tempestades se tenham desenvolvido principalmente ao longo do eixo clássico Espanha – França – Alemanha, a Itália também registou uma atividade notável, tornando-se o país mais atingido pela queda de raios na Europa durante esta temporada.
No outono, as tempestades mantêm-se principalmente:
- sobre os mares,
- sobre as regiões costeiras mediterrânicas (leste de Espanha, sul de França, Itália).
Este reforço local explica-se pela persistência de águas de superfície quentes, enquanto as camadas baixas continentais arrefecem mais rapidamente. Este contraste vertical de temperatura favorece a convecção, tornando as tempestades por vezes intensas e muito chuvosas, consoante a passagem de sistemas depressionários.
Os principais factos
2025, um ano ligeiramente afetado pela queda de raios
Em 2025, Portugal registou 18 496 raios nuvem-solo, atividade de tempestade geralmente baixa em comparação com anos anteriores.
134 dias de tempestade
Na primavera de 2025, registamos cerca de 4 595 raios nuvem-solo. Este nível encontra-se entre os mais baixos das últimas temporadas primaveris.
O verão confirmou esta tendência, com cerca de 3500 raios nuvem-solo detectados. A atividade de tempestade durante o verão permanece limitada, figurando também entre os valores mais baixos observados nos últimos anos.
O outono de 2025 destaca-se, impulsionado por um mês de novembro com atividade elétrica excecional. Foram detetados cerca de 8300 raios nuvem-solo, estabelecendo um novo recorde absoluto para um mês de novembro, muito acima do anterior recorde de 2020 (3574 descargas nuvem-solo). Este valor representa quase metade da atividade elétrica anual, sublinhando o caráter excecional da atividade elétrica no final do ano. Esta situação explica-se pela sucessão de anomalias depressionárias ao largo de Portugal, que geram fortes contrastes de massas de ar sobre o país e favorecem o desenvolvimento de tempestades frontais por vezes intensas.
2025, um ano calmo, mas com impactos muito reais.
Acidentes marcantes em 2025
Energia: aerogeradores danificados ou destruídos pela queda de raios nos Países Baixos, em Espanha e em França, causando incêndios e perdas económicas significativas.
Transportes: atrasos e interrupções no transporte aéreo (aeroportos de Orly e CDG) e ferroviário em França, na Alemanha e no Reino Unido, na sequência de impactos nos sistemas de sinalização.
Setor industrial: paragens de atividade e danos materiais após impactos diretos em instalações industriais (destilaria, oficinas no França) e em infraestruturas de lazer (teleférico em Itália).
Agricultura: mortalidade por vezes coletiva de rebanhos em Espanha e na Irlanda.
Ambiente: pelo menos dois grandes incêndios florestais foram desencadeados pela queda de raios, na Suíça (Ticino) e em Portugal (distrito de Coimbra).
BAIXA ACTIVIDADE ≠ BAIXO RISCO
Embora o ano de 2025 tenha sido menos tempestuoso do que o normal na Europa, o risco associado à queda de raios mantém-se plenamente atual, pois a diminuição do número total de descargas nuvem-solo não reduz automaticamente a exposição, que afeta numerosos setores de atividade.
Cada tempestade, mesmo moderada, pode provocar danos importantes, por vezes inesperados: interrupções de atividade, degradações de equipamentos sensíveis, perdas económicas ou riscos para a vida humana.
Um risco permanente, sem fronteiras nem temporadas
A análise dos acidentes ocorridos em 2025 confirma que as consequências da queda de raios não se limitam a situações extremas, nem apenas ao período de verão. Os eventos registam-se ao longo de todo o ano, demonstrando que o risco é permanente, mesmo durante fenómenos considerados menores. É essencial lembrar que a maioria dos acidentes graves ocorre em dias classificados com alerta amarelo, ou mesmo sem alerta particular.
O acidente no zoo de La Barben (França), ocorrido durante um dia tempestuoso, mas longe de ser excecional, é um exemplo marcante desta realidade. Este facto sublinha a necessidade de uma vigilância constante, mesmo em episódios considerados “moderados”.
Prevenir para proteger melhor
Face a este risco generalizado, é essencial implementar medidas preventivas adequadas: sensibilização, reorganização de atividades ao ar livre, proteção das infraestruturas e divulgação das melhores práticas nas equipas expostas.
É neste sentido que a Meteorage acompanha os seus clientes e parceiros para melhor se protegerem, desde a formação à utilização de dados de descargas, incluindo serviços de alerta, análise e apoio à decisão. Esta expertise integra-se também numa missão mais ampla de difusão da cultura de risco, através dos nossos compromissos em normalização, estudos e publicações internacionais, bem como ações pedagógicas e mensagens de prevenção acessíveis a todos.
Na Meteorage, especialista em deteção da queda de raios há cerca de 40 anos e operadora de uma rede europeia de referência, acompanhamos os nossos clientes na antecipação, monitorização e gestão dos riscos de tempestade, através de soluções adaptadas a cada setor de atividade.
Terminologia
Para uma melhor compreensão das informações comunicadas neste relatório, partilhamos consigo as definições dos termos frequentemente utilizados.
Raio nuvem-solo (CG)
Descarga de corrente de certa intensidade que circula entre uma nuvem e o solo. A abreviação CG – Cloud-to-Ground em inglês´- significa Nuvem para o solo.
Densidade de queda de raios
A melhor representação atual da atividade de tempestade é a densidade de queda de raios que é o número de raios nuvem-solo (CG) por km² e por ano.
Relâmpagos
Conjunto de descargas de corrente e de impulsos elétricos durante um fenómeno de tempestade com queda de raios. Um raio pode aparecer numa nuvem (raio intranuvem), entre uma nuvem e o solo (raio nuvem-solo CG) ou entre nuvens. Um raio pode ser composto por um ou mais arcos que são os impulsos de corrente.
Dia de episódio de tempestade
Dia quando, pelo menos, um raio foi detetado na área considerada.
Sobre o relatório de queda de raios
A nossa avaliação baseia-se nos dados fornecidos pela rede METEORAGE – the European Lightning Detection Network (ELDN).
A informação que estamos a comunicar especificamente nesta análise anual diz respeito à queda de raios nuvem-solo (CG) e à densidade de queda de raios.
Para fins comparativos com os nossos dados, a METEORAGE contabiliza o impulso principal de corrente, que circula entre a nuvem e o solo e que é definido, neste relatório, pelo termo “Raio nuvem-solo (CG)”.
O relatório de queda de raios baseia-se nos dados fornecidos pela rede de deteção da queda de raios da METEORAGE, implantada na Europa.
A nossa experiência baseia-se em mais de uma dezena de anos de análise, observações e dados recolhidos na Europa e, mais largamente, no mundo. Em território francês, dispomos de mais de 37 anos de experiência.
A nossa rede METEORAGE (ELDN), cujo desempenho foi validado cientificamente, mostra o mais alto desempenho possível com:
- uma deteção > de 98% dos raios,
- uma precisão de deteção mediana de 100 metros,
- uma distinção em mais de 90% entre os raios nuvem-solo (CG) e os raios intranuvens.
A rede METEORAGE (ELDN) é composta por mais de 100 sensores de queda de raios, de calculadores e de um sistema de tratamento que cria as bases de dados. Os nossos sensores de queda de raios são oriundos da tecnologia de Vaisala, atualmente considerada uma das melhores do mundo. A nossa rede permite atingir desempenhos validados por numerosos estudos e publicações científicas.
O relatório de 2025 baseia-se na mais completa fonte de informações de Portugal. Os dados, as densidades, as classificações e os dias de tempestade que figuram neste relatório vão de 1 de janeiro de 2025 a 31 de dezembro de 2025.
As informações que comunicamos estão relacionadas com os raios nuvem-solo CG e a densidade de queda de raios.